IAPAR

03/05/2008

Reportagem da Folha Rural destaca o gado Purunã, a primeira raça paranaense obtida após 30 anos de pesquisas do IAPAR

Depois de 30 anos de pesquisa, purunã está sendo registrada como primeira raça paranaense
Quase 30 anos depois, o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), entrega ao País, o fruto de uma pesquisa iniciada em 1980 com objetivo de dar a pecuária nacional, um sintético que atendesse a eterna necessidade de produzir carne, em menor espaço de tempo e a um custo acessível. O Purunã chega ao mercado, cotado para ser assim. A nova raça, já em processo de registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); é composta por outras quatro: Abeerdeen Angus, Canchim, Caracu e Charolês, sendo indicado para o abate animais puros ou cruzados, tendo-o como base materna. O pesquisador de melhoramento genético Daniel Perotto, no projeto desde o começo, destaca que os exemplares usados neste empreendimento foram escolhidos por meio de Desempenho Esperado na Progênie (deps) aprovadas.

Na Fazenda Modelo do IAPAR, em Ponta Grossa, o rebanho puro de origem (PO) conta com cerca de 200 produtos, mas até hoje - entre mestiços e puros, nasceram mais de 5 mil animais. ''O Purunã é um sangue que alia as características mais interessantes economicamente de cada braço formador'', afirma Perotto ao listá-las. O Angus e o Charolês agregam desenvolvimento muscular, precocidade e alto grau de acabamento; a presença do zebu (no sangue Canchim) e o Caracu atenuam a adaptabilidade e a tolerância à ectoparasitas; Angus e Caracu acentuam a habilidade maternal. ''A matemática deste gado resulta em uma equação de sucesso porque dá ao criador uma alternativa para contornar as dificuldades em usar o cruzamento. É um sintético chancelado por anos de pesquisa, que deve ser manejado como raça pura sem medo de errar'', diz.

O ''erro'' referido são os cruzamentos indiscriminados do passado que desacreditaram o método. O pesquisador ressalta que é difícil este processo, e o Purunã facilita a vida de quem quer um choque de sangue no plantel. ''Para cruzar bem é preciso fazer acasalamentos com rígido controle, conhecer profundamente as raças, certificar-se que elas se completam biologicamente (como cruzar um touro pesado em fêmea de pequeno porte) e um grau de acabamento satisfatório. Já fizemos este trabalho e chegamos a um gado de porte médio, que responde bem a monta natural, aguenta o pastejo extensivo e tem carne de qualidade. Totalmente competitivo na média das raças mães'', avalia.

O cruzamento resultou na seguinte genética: 40% Charolês / Canchim (5/8 Charolês e 3/8 zebu), 25% Caracu, 10% zebu e 25% Angus. A indicação é o cruzamento do touro Purunã X Nelore ou touro Purunã X europeu de médio porte para que em três gerações seja possível ter um novo animal puro. Para quem deseja ser criador, deve ter dois touros ou um estoque de banco de sêmen para evitar consanguinidade. A dose sai por R$ 5. Para comprar animais da fazenda modelo, o criador pagará preço da arroba no mercado, com acréscimo de 20%.

O IAPAR destaca as regiões Centro-Sul e Sudoeste do Estado como consideráveis promotoras porque são localidades de crescimento da atividade pecuária. Segundo dados comparativos da entidade, as regiões criatórias tradicionais Norte Central e Noroeste detinham juntas em 1996, 43% do efetivo do rebanho bovino paranaense. Dez anos mais tarde, a fatia caiu para 36%. Já o Centro-Sul saltou de 8% para 12% e o Sudoeste de 7% para 10%, no mesmo período.

Produtividade frigorífica

José Luiz Moletta, pesquisador do IAPAR e responsável pelo setor de manejo, destaca que touros puros em vacas canchim para absorção, tem criado F1s com qualidade de carne surpreendentes. ''Os dados levantados por nós, dentro das raças utilizadas e de acordo com as potencialidades de cada, apontam o Purunã como muito próximo do Angus no acabamento e marmorização de carcaça, porém com maior produtividade frigorífica''.

Ele destaca também como uma vantagem econônomica, os sistemas de terminação precoce, aos 24 meses (desmana, recria e confina) e super-precoce (desmama e confina), aos 16 meses, produzindo cerca de 18 arrobas, com 4 mm de capa de gordura - metragem exigida por mercados consumidores exigintes como Europa e Estados Unidos. ''Abates técnicos já comprovaram que o Purunã está no caminho certo para um melhoramento genético mais apurado''.

O caminho está sendo trilhado por meio de parcerias com criadores dispostos a apostar no gado made in Paraná para poder catalogar dados do animais em propriedades. ''Sabemos que há muito ainda a se fazer, mas acreditar no potencial do que criamos com muito zêlo e dedicação. Demos o primeiro passo para fazer história na pecuária nacional'', comemora Moletta.

Cláudia Palaci - Equipe da Folha com fotos de Marcos Borges

Veja a reportagem completa - Bicho do Paraná - no suplemento Folha Rural
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