IAPAR

04/06/2019

Tecnologias do IAPAR contribuem para o equilíbrio ambiental no campo e nas cidades

test(04/06/19) As fortes chuvas que atingem todo o Paraná estão provocando diversos problemas para o campo e as cidades. Na agricultura, a erosão é um exemplo. Nas cidades, lagos e rios caudalosos com excesso de sedimentos. Pensando em buscar soluções para melhorar o equilíbrio ambiental no campo e nas cidades, o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) vem desenvolvendo tecnologias como o sistema de plantio direto, que consiste em semear sobre a palhada que ficou da colheita anterior, removendo o mínimo possível o solo. Pode parecer simples demais, mas esse sistema traz vários benefícios. “Um dos mais importantes é um aumentar a retenção de água no solo, uma necessidade cada vez maior nos períodos de estiagem ou de chuvas intensas, que são cada vez mais comuns”, salienta o pesquisador Arnaldo Colozzi. A importância do plantio direto é ressaltada pensando no Dia Internacional do Meio Ambiente, que ocorre no próxima quarta-feira (5).

Segundo a pesquisadora do IAPAR Heverly Moraes, a temperatura tem aumentado gradativamente ao longo do tempo na grande maioria dos municípios do Paraná. “Em Londrina a temperatura média em janeiro deste ano foi 25,8ºC, superando a média histórica de 23,9ºC dos últimos 44 anos”, destaca a pesquisadora. Ainda de acordo com ela, a agricultura do Paraná vem sofrendo com estiagem desde novembro de 2018. Foram registradas perdas no feijão, milho e soja, além das hortaliças. “Toda essa adversidade climática que prejudica a agricultura tem reflexo direto na cidade. O principal impacto é a elevação de preço dos alimentos, da cesta básica e consequentemente aumento da inflação” adverte Heverly.

Carbono no solo
Para amenizar os efeitos das altas temperaturas, aliadas a menos chuva e maior intensidade das precipitações, o sistema de plantio direto contribui de forma efetiva com o produtor rural e com o morador de áreas urbanas. Pesquisas feitas pelo IAPAR mostram que a infiltração de água no solo é de 100%, enquanto no solo descoberto um terço da água se perde. “Essa água que vai embora faz falta para a lavoura na estiagem e ainda carrega muita terra, ocasionando erosão no campo”, explica o pesquisador Cezar Araujo. “O solo que perdemos na agricultura também pode encarecer o tratamento de água e ainda contribuir para o assoreamento de rios e lagos, prejudicando a todos”, complementa. Araujo ainda destaca o quanto o plantio direto mantém o carbono no solo. “Na pesquisa que conduzimos retemos 22 gramas de carbono por quilo de solo, quase a mesma quantidade de uma mata nativa. Isso quer dizer que em determinadas condições o plantio direto é tão eficiente quanto uma floresta para manter o carbono no solo”, destaca. O carbono é um componente químico retirado da natureza pela ação humana, como na fabricação de combustíveis. Quando uma tecnologia retém carbono no solo está ajudando a minimizar os impactos do aquecimento global e melhorando a qualidade de vida de toda a sociedade.

Para facilitar a visualização de como o plantio direto é eficaz, foi montado no IAPAR um simulador de chuva e aberta uma trincheira. O simulador é uma máquina que mostra quais os efeitos que a chuva forte ou moderada pode causar no solo, facilitando a visualização da água carregando sedimentos, por exemplo. Já a trincheira é buraco no solo em uma área onde está plantada milho sobre plantio direto. Neste local é possível visualizar o quanto o plantio direto é eficaz para reter carbono no solo e ainda o quanto o solo fica fértil com matéria orgânica.

O plantio direto é uma das tecnologias mais tradicionais e impactantes que o IAPAR já trabalhou. Começou a ser pesquisada no fim da década de 1960 no Instituto de Pesquisa Agropecuária Meridional (Ipeame), que deu origem ao IAPAR em 1972. A tecnologia do Plantio Direto foi usada pela primeira vez em escala comercial na América Latina por Herbert Bartz em Rolândia (PR) em 1972 que acreditou no potencial do sistema e começou uma verdadeira revolução na agricultura brasileira como um modelo de produção que respeita o meio ambiente. O IAPAR logo em 1976 iniciou uma série de estudos sobre o que se transformou no Sistema Plantio Direto que hoje é adotado em mais de 32 milhões de hectares no Brasil.

O diretor de pesquisa do IAPAR, Rafael Fuentes, destaca que a pesquisa agrícola pública desenvolve tecnologias que contribuem para o aumento de produtividade no campo e que são amigáveis ao meio ambiente, diferentemente do foco das empresas privadas. “O trabalho de preservação de solo, os estudos sobre clima, a preocupação com o carbono no solo são necessários para termos uma agricultura moderna e produtiva, mas que respeite nosso meio ambiente. Se instituições públicas como o IAPAR não fizerem esse trabalho de pesquisa, ninguém o fará”, esclarece Fuentes.

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