LANÇAMENTO DE LIVRO

28/06/2018

IAPAR lança manual para plantio de seringueira no Paraná

IAPAR lança manual de seringueira para o Paraná(28/06/2018) O IAPAR lança nesta sexta-feira (29) o livro Cultivo de Seringueira no Paraná. A obra é um minucioso compêndio sobre procedimentos técnicos em todas as etapas de cultivo – da seleção de áreas apropriadas ao plantio de seringais, formação de mudas e implantação do seringal até a extração do látex.

“São quase 30 anos de pesquisas condensados no livro. O IAPAR começou a estudar a adaptação da seringueira no Paraná ainda no final da década de 1980”, resume o engenheiro florestal André Luiz Medeiros Ramos, autor da obra juntamente com os pesquisadores Jomar da Paes Pereira e Alex Carneiro Leal.

E esses estudos apontam para o elevado potencial da atividade no Estado, seja do ponto de vista agronômico, econômico, social ou ambiental. “Há extensas áreas favoráveis ao cultivo, e seringueira pode ser uma opção para pequenos e grandes produtores, em plantios puros ou em sistemas agroflorestais”, ele esclarece.

O diretor de pesquisas Tiago Pellini defende que a produção de borracha pode ser uma atividade relevante em estratégias de desenvolvimento rural e industrial do Paraná. “Parcerias entre o governo e o setor privado vêm sendo desenvolvidas para estimular sua expansão, e nesse contexto o aporte de conhecimento técnico é fundamental. Daí a importância desta obra”, conclui.

A PLANTA – Natural da região amazônica, a seringueira (Hevea brasiliensis) pertence à família das euforbiáceas, a mesma da mandioca, mamona e pinhão-manso.

Segundo o pesquisador André Ramos, não se sabe muito sobre o início da obtenção de borracha, mas ela ganhou importância econômica quando, em meados do século 19, o americano Charles Goodyear e o inglês Thomas Hancock desenvolveram a técnica da vulcanização – tratamento químico que torna a borracha natural flexível e resistente –, o que impulsionou a fabricação de pneus e a indústria automobilística.

A partir de então, ingleses, franceses e holandeses vislumbraram a possibilidade de cultivar a seringueira nas suas colônias do Sudeste da Ásia, com condições de solo e clima parecidas com a Amazônia.

Tudo o mais se sucedeu a partir de um caso de biopirataria protagonizado pelo botânico inglês Henry Wickham. Em 1876, ele coletou 70 mil sementes de seringueira e as levou para Londres. A partir delas foram obtidas 2.397 plântulas, posteriormente enviadas aos jardins botânicos de Peradenya e Heneratgota, no Ceilão (atual Sri Lanka). Um ano depois, em 1877, a espécie foi levada também para o Jardim Botânico de Singapura.

Em 1895 os ingleses iniciaram a plantação comercial na Malásia, país que se tornou um dos maiores produtores de borracha natural. De único produtor e exportador de borracha natural no início do século 20, o Brasil passou a importador a partir de 1952, situação que perdura até hoje.

MERCADO – De acordo com Ramos, o mercado para a borracha se mostra bastante favorável a médio e a longo prazos. Estima-se que há um déficit de aproximadamente 85 mil toneladas de borracha natural no mercado mundial.

Cerca de 60% da borracha natural consumida no Brasil, é importada. “Para que o país atinja autossuficiência, será necessário o plantio de cerca de 700 mil hectares de seringais até 2020”, ele aponta.

Situação mercadológica que faz da seringueira uma opção rentável para a diversificação de culturas, com o uso de florestas plantadas em locais onde seu cultivo não é tradicional, como a Zona da Mata em Pernambuco, o Sul do Maranhão, o litoral Sul da Bahia, os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e, ainda, o Noroeste do Paraná.

Como dificuldades, Ramos alerta para a acentuada redução de mão de obra no meio rural e problemas de pragas e doenças, ainda mais preocupantes com a limitação de agrotóxicos registrados para seringais.

PARANÁ – A seringueira chegou ao Paraná em plantios no litoral, mas a partir dos anos 1980 se desenvolveu na região Noroeste, expansão que se deu de modo tecnologicamente inadequado pela falta de tradição no cultivo, carência de mão de obra especializada e de técnicos com conhecimentos específicos no cultivo e manejo, segundo Ramos.

Hoje são cultivados 1.500 hectares no Estado, em plantios localizados principalmente nos municípios de Nova Esperança, Paranapoema e Santo Inácio. “O potencial de expansão da área é grande, em parte em função da condição de temperaturas registradas no Paraná, que favorecem a produtividade de látex”, conclui Ramos.

O livro Cultivo de seringueira no Paraná custa R$ 50 e pode ser adquirido na sede do Iapar, em Londrina, ou pela internet.

Serviço
Lançamento do livro “Cultivo de seringueira no Paraná”
Local: sede da instituição, em Londrina (rodovia Celso Garcia Cid, km 375 – saída para Curitiba)
Data: sexta-feira, 29 de junho
Horário: a partir das 10 horas


Serviço de Imprensa do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR)
Edmilson Gonçales Liberal (MTb 4782/PR)
Tel: 43 3376-2465 / Correio eletrônico: imprensa@iapar.br

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