IAPAR

08/03/2017

Pesquisadores do IAPAR relatam nova praga em cártamo

Pesquisadores do IAPAR relatam nova praga em cártamo(08/03/2017) Plantios de cártamo podem ter a produtividade seriamente comprometida por infestação de um pequeno besouro, tecnicamente chamado de Euphoria lurida. A descoberta foi anunciada recentemente por pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A nova praga foi inicialmente constatada em 2013, em ensaios nas fazendas experimentais do IAPAR em Santa Tereza do Oeste, Palotina e Santa Helena. “Passamos a estudar o fenômeno nas safras seguintes e confirmamos o ataque e os danos causados pelo besouro”, explica o entomologista Humberto Godoy Androcioli, do IAPAR.

De acordo com Androcioli, a perda de produção nas áreas infestadas pode chegar a 50%. “O inseto age no florescimento das plantas, cerca de 90 dias após o plantio, causando o abortamento dos botões florais. Também provoca danos indiretos, já que as lesões abrem caminho para a instalação de microrganismos, mas não observamos prejuízos às sementes”, explica o pesquisador.

A identidade da nova praga foi confirmada pelo Laboratório de Taxonomia de Insetos da UEL. A descoberta foi relatada na conceituada revista Neotropical Entomology.

De acordo com Androcioli, a literatura científica registra 55 pragas em lavouras de cártamo nos Estados Unidos e em países da África, Ásia e Oceania. A descoberta é importante porque não havia, até o momento, notícia de infestações na América Latina.

Mas o ineditismo não para aí. “Também é novidade a atuação desta espécie de besouro como praga, Euphoria lurida não consta na lista de 55 insetos que prejudicam a cultura do cártamo”, acrescenta o pesquisador.

O pesquisador aponta, no entanto, que é necessário avançar nos estudos sobre a praga e a necessidade de estabelecer estratégias de manejo da cultura.

CÁRTAMO – O cártamo é uma oleaginosa originária do mediterrâneo. A espécie, que é da mesma família do girassol, tem uso disseminado na culinária e na indústria cosmética. Também vem sendo estudada como alimento nutracêutico – aqueles que contêm substâncias benéficas para a prevenção ou tratamento de doenças, como, por exemplo, ação antioxidante, imunológica, termogênica ou estimulante.

Índia, México, Estados Unidos, Cazaquistão e Argentina são os países que mais produzem cártamo. No Brasil, o plantio ainda é incipiente – a espécie é cultivada apenas em pequenas áreas do Paraná e do Mato Grosso do Sul. Há apenas seis cultivares comerciais registradas no Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa).

PESQUISA – O IAPAR estuda a inserção do cártamo nos sistemas de produção paranaenses, pautados no cultivo de soja, milho e trigo. O objetivo é oferecer aos produtores uma opção para a diversificação de culturas e obtenção de renda.

“Já é possível indicar o cártamo como alternativa ao plantio de milho segunda safra em áreas de baixa fertilidade e de maior risco de estresse hídrico”, informa o pesquisador Pedro Mário de Araújo, também do IAPAR.

Araújo adianta que o IAPAR desenvolveu uma cultivar de cártamo apropriada às condições de solo e clima do Estado. O novo material passa por avaliações finais e deverá ter seu lançamento comercial em breve.


Serviço de Imprensa do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR)
Jornalista Edmilson Gonçales Liberal (MTb 4782/02-PR)
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