Instituto Agronômico do Paraná
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Previsão do tempo

Déficit e excesso hídrico no solo:

Valores negativos representam déficit hídrico e indicam a quantidade de água necessária para repor a umidade do solo na capacidade de campo;

Valores positivos representam excesso hídrico e indicam a quantidade de água a ser drenada para que a umidade do solo atinja a capacidade de campo;

Capacidade de campo corresponde à condição do solo com armazenamento máximo de água disponível.

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1. O que é o El Niño Oscilação Sul (ENOS)
O ENOS é um fenômeno de grande escala que ocorre no oceano Pacífico Equatorial. Este fenômeno climático mostra a forte conexão existente entre oceano e atmosfera. O El Niño representa o componente oceânico do fenômeno, enquanto a Oscilação Sul representa a contrapartida atmosférica.
O episódio quente do Pacífico ou, popularmente, conhecido como El Niño, é a combinação entre o aquecimento anormal do Pacífico (TSM acima da média) conjugado com o enfraquecimento dos ventos alísios de Leste para Oeste na região Equatorial (Figura 1a). Já a La Niña, conhecido como o episódio frio do Pacífico, é a combinação entre o resfriamento anormal do Pacífico (TSM abaixo da média) conjugado com o fortalecimento dos ventos alísios de Leste para Oeste na região Equatorial (Figura 1b).
 

 
Figura 1. TSM global em períodos com anomalias positivas (1a) e anomalias negativas (1b) do Pacífico Equatorial (Fonte: IRI).
 

Figura 2. Monitoramento dos últimos dias da anomalia da TSM Global. 
 
2. A influência do ENOS na agricultura do Paraná  
Os impactos desses fenômenos climáticos no Brasil são mais marcantes nas regiões Sul e Nordeste. Mesmo assim, as características não são equivalentes entre as áreas destas regiões e durante os meses de ocorrência dos fenômenos.
Sabe-se que estiagens e chuvas em excesso por períodos seguidos, em várias partes do mundo, incluindo o estado do Paraná, estão associadas ao El Niño e a La Niña por afetarem a Circulação Geral da Atmosfera. Mas nem toda a ocorrência do ENOS causa, necessariamente, prejuízos na agricultura. O impacto vai depender da intensidade do fenômeno, da anomalia causada no regime de chuvas e em que estádio fenológico da cultura ocorre a oscilação climática. Como exemplo, a ocorrência do El Niño é bem vista pelos agricultores da região Sul do Brasil pela sua característica predominantemente de chuvas acima da média, ou seja, minimizando os eventos severos de estiagem durante o período da safra de verão.
O IAPAR apresenta uma informação detalhada do comportamento pluviométrico no período de maior atuação do ENOS (setembro a junho), associando com o calendário agrícola para as principais culturas anuais adotadas no Paraná. Ressalta-se que neste estudo foram considerados somente os eventos El Niño e La Niña de moderada e forte intensidades e os resultados obtidos representam apenas uma tendência, ou seja, não significa necessariamente que as anomalias sempre ocorrerão no referido período, como pode ser observado nas análises por evento para as chuvas bimestrais (Figura 3) em regiões pluviométricamente homogêneas do Paraná (Bernardes, 1998). 
Figura 3. Classificação da precipitação bimestral durante anos de ocorrência do ENOS e respectivas correlações existentes com a TSM do Pacífico Equatorial, defasado em até 3 meses. (Clique sobre a região desejada para ver as informações)
 
3. Recomendações para os produtores agrícolas do Paraná durante eventos do ENOS
Diante das influências mais notáveis do El Niño (chuvas acima da média) e da La Niña (chuvas abaixo da média) no Paraná, as condições hídricas tornam-se mais favoráveis para bons rendimentos agrícolas dos cultivos de verão durante a fase quente do ENOS (El Niño). Com a tendência de maiores volumes e dias chuvosos durante o El Niño, aumenta as ocorrências de ventos fortes, granizo e chuvas intensas. Porém, a data destas ocorrências torna-se possível somente pela previsão do TEMPO. A previsão do CLIMA apesar de fornecer informação à longo prazo (meses), restringe-se somente a informar qual será o comportamento da chuva em relação a sua média (climatologia) do período. Ressalta-se que as recomendações fornecidas a seguir para as principais culturas anuais adotadas no estado, são baseadas unicamente nas tendências das chuvas mensais durante as ocorrências de ambas fases do ENOS.
 
3.1. El Niño 
- Realizar o plantio da 1º safra do feijão e do milho nas primeiras semanas indicadas pelo Zoneamento Agrícola, de forma a culminar as fases fenológicas de maior exigência hídrica durante o decorrer de outubro e em novembro quando as chuvas tendem a ficar acima da climatologia.
- Os períodos favoráveis (condições do solo) a semeadura da 1º safra da soja devem ser mais restritos, portanto, deve-se aproveitar os períodos secos para realizar esta atividade agrícola. Atenta-se ao acompanhamento da previsão do tempo, para obter informações dos volumes de chuva previstos após as datas de semeadura, devido ao risco de lixiviação, extraindo as sementes recém plantadas.
- Seguindo as datas indicadas pelo Zoneamento Agrícola, a semeadura do trigo deve ser feita de forma escalonada, em razão a tendência chuvosa de abril e maio, que restringe as datas de semeadura, e durante a colheita tardia, que ocorre principalmente, nas áreas mais ao Sul do Paraná, dificultando a locomoção de maquinário agrícola e prejudicando a qualidade dos grãos.
- Atenta-se que o cenário chuvoso torna as condições ambientais favoráveis ao aparecimento de doenças e restringe as datas favoráveis à aplicação de defensivos agrícolas, de forma que, os produtos possam agir nas plantas de forma eficaz e sem correr o risco de contaminação do ambiente ocasionado pela lixiviação.   
 
Figura 4. Calendário agrícola das principais culturas anuais adotadas no Paraná com respectivos períodos quinzenais (15 dias) de semeadura (S) e colheita (C) e de tendências chuvosas (áreas em azul) observadas durante eventos do El Niño. 
 
3.2. La Niña
- O plantio da 1º safra do feijão, milho e da soja deve ser feito de forma escalonada (datas de plantio espaçados entre si), considerando a tendência de chuvas abaixo da média durante a primavera que pode coincidir com as fases fenológicas de maior necessidade hídrica e dificultar a germinação das plantas recém semeadas. Nesta última situação, recomenda-se o acompanhamento da previsão do TEMPO para averiguar a ocorrência de chuva.
 
Figura 5. Calendário agrícola das principais culturas anuais adotadas no Paraná com respectivos períodos quinzenais (15 dias) de semeadura (S) e colheita (C) e de tendências de seca (área em amarelo) observadas durante eventos da La Niña. 
 
 Regime de chuva mensal (setembro a junho) em anos do ENOS
setembro outubro novembro dezembro janeiro
fevereiro março abril maio junho
 

Bibliografia consultada:
Bernardes, L.R.M. Determinação de regiões pluviométricamente homogêneas no estado do Paraná, através de técnicas de análise multivariada. Tese de Doutorado, São Paulo, 1998. 136p. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
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