IAPAR

03/04/2020

O produtor de leite e o novo coronavírus

(O produtor de leite e o novo coronavírus03/04/2020) A crise provocada pelas medidas de contenção da pandemia do novo coronavírus (SARS-Cov-2) que provoca a doença COVID-19, está atingindo o setor lácteo. O fechamento de estabelecimentos do ramo da alimentação diminuiu a demanda de produtos lácteos processados como o queijo. Por isso, algumas indústrias estão pedindo a redução da produção de leite nas propriedades para evitar o desperdício de recursos pelo produtor.

Os técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar-Emater estão dando algumas sugestões para que o produtor possa ajustar a produção leiteira, diminuir os prejuízos e não atrapalhar a próxima lactação das vacas. Neste momento, a contribuição do produtor é muito importante para que a população continue recebendo alimentos com segurança e de boa qualidade. Os técnicos também lembram que reduzir custo não é simplesmente reduzir os insumos, mas sim reduzir os desperdícios.

ORIENTAÇÕES

- Procurar a assistência técnica do seu município para enfrentar os novos desafios impostos ao setor leiteiro. Decisões equivocadas podem produzir reações catastróficas na eficiência técnica do sistema de produção e no equilíbrio financeiro da atividade. A orientação pode ser buscada no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar–Emater, além do setor de fomento das cooperativas ou ainda nos laticínios e demais prestadores de serviço da região do produtor.

- Manter o controle dos gastos.

- Escolher fornecedores de insumos com preços compatíveis com a situação atual da produção e que garantam a entrega dos produtos adquiridos.

- Buscar alimentos alternativos para o gado que sejam mais baratos, mas que mantenham bons níveis de nutrição. Esses alimentos devem ser fornecidos de maneira regular e não podem trazer riscos para a saúde dos animais.

- Não usar resíduos mofados, de “fundo de silo” e de varredura.

- Contratar trabalho extra apenas se for muito necessário. A mão de obra familiar deve ser priorizada.

- Acompanhar cuidadosamente a relação receitas e despesas.

- Ajustar a oferta de concentrado pelo nível de produção de leite da vaca, retirando a ração concentrada das vacas com baixa produção.

- Reduzir a quantidade de concentrado das vacas com mais de 240 dias de lactação e prenhez confirmada.

- Diminuir a quantidade de concentrado das vacas com Escore de Condição Corporal (ECC) acima dos 3,5.

- Não reduzir o concentrado de vacas em início de lactação, já que é um período crítico. Até os primeiros 100 dias após o parto a vaca tem dificuldade de ingerir a quantidade suficiente de alimentos para suportar a produção. O emagrecimento demasiado nesta fase vai prejudicar diretamente a reprodução.

-Priorizar as vacas em início de produção, garantindo assim uma boa lactação quando o consumo dos produtos lácteos voltar ao normal.

- Não descuidar do desenvolvimento ponderal (o controle do peso) dos animais jovens. Quando a crise acabar, será preciso novilhas aptas para substituir vacas descartes.

- Antecipar a secagem de animais quando possível. Para isso optar pelas vacas que estão acima de 240 dias em lactação e prenhez confirmada, animais com produção abaixo da média da propriedade, vacas com ECC baixo, visando a recuperação da condição corporal para a próxima lactação, além de animais com mastite crônica e/ou alta Contagem de Células Somáticas (CCS).

- Seguir os protocolos apropriados para o tratamento de mastite e de secagem das vacas, usando antibióticos recomendados para cada período.  

- Descartar animais sem futuro de produção: vacas com mastite crônica, alta CCS e ou tetos perdidos, animais com problemas reprodutivos e/ou vacas vazias (alto IEP - Intervalo Entre Partos), com problemas de casco, com produção de leite abaixo da média do rebanho e com idade avançada.

- Cuidar do manejo pré-parto das vacas e novilhas. O período de transição (21 dias antes do parto e 21 dias após parto) é muito delicado para a vaca. Erros nessa fase provocarão perdas por toda lactação.

- Controlar a perda de peso das vacas no pós parto imediato (até 100 dias de lactação). Vacas magras nesta fase podem não apresentar cio.

 - Fazer o controle sanitário do rebanho. Não descuidar da saúde dos animais. Todas as vacinas e controle de parasitas devem ser mantidos. Sem saúde o prejuízo é certo.

- Manter a qualidade do leite, pois sem isso o laticínio poderá pagar menos pela produção ou até interromper o recolhimento.

- Observar todos os cuidados de manejo e higiene de ordenha. Fazer os testes de mastite, pré-dipping, secagem com papel toalha e pós-dipping.

- Limpar e higienizar a ordenhadeira mecânica, diariamente, com detergentes apropriados, nunca esquecendo de verificar a temperatura da água de limpeza.

- Regular os equipamentos de ordenha e armazenagem do leite.

- Trocar as peças da ordenhadeira conforme recomendação do fabricante.

- Manter a oferta de sal mineralizado de acordo com a exigência nutricional de cada categoria animal.
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