PARANÁ

30/08/2019

IAPAR busca soluções para Paraná ter 100% da alimentação escolar orgânica

test(30/08/19) O Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), juntamente com outras seis entidades estaduais, estuda maneiras de fazer do Paraná o único estado do Brasil a ter 100% da alimentação escolar formada por produtos orgânicos. Dentre os diversos desafios estão soluções na área de sanidade animal, ampliar a produção e melhorar a organização dos produtores em associações e cooperativas.

De acordo com o pesquisador Luiz Antônio Odenath, que é líder do Programa em Agroecologia na instituição, o Iapar faz parte do Grupo de Trabalho instituído pela secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB) para ampliar a produção de orgânicos no estado e atender os dispositivos da Lei Estadual 16.751 de 2010. A legislação prevê, dentre outros, que 100% da alimentação escolar paranaense seja proveniente de produtos orgânicos e no mínimo 30% da agricultura familiar. “A previsão é atingir essa meta até 2030. Parece bastante tempo, mas não é”, assegura Odenath. “São 399 municípios, 2.146 escolas estaduais e 1.140.000 refeições ao dia em todo o estado. São números significativos”, salienta. Ainda de acordo com o pesquisador, 8% da alimentação escolar atual é orgânica e 60% proveniente da agricultura familiar.

PROGRAMA - Uma das estratégias sugeridas pelo pesquisador para chegar aos 100% da alimentação escolar orgânica é atender inicialmente os 10 maiores municípios do estado, que juntos correspondem a 26% da demanda do estado. “Dessa forma teremos maior concentração de recursos, o que facilita a logística”, diz. Ainda de acordo com Odenah, em torno de 84 municípios do estado recebem produtos orgânicos para a alimentação escolar, distante do total de 399. “Além de termos um baixo percentual de produtos orgânicos na alimentação escolar, ainda existe uma alta concentração dos municípios que recebem esses produtos”. Uma das regiões que mais necessita ampliar a oferta de produtos orgânicos é o noroeste do estado. “A intenção é ampliar o Programa Paraná Mais Orgânico nessa região e incentivar a formação de cooperativas de agricultores, o que ajuda bastante a ampliar a oferta”, salienta o pesquisador.

Outro aspecto do diagnóstico feito pelo Grupo de Trabalho é a falta de uniformidade dentre os produtos ofertados pelo mercado de orgânicos. “Olericultura (verduras e legumes) tem uma oferta maior do que grãos. Sucos processados e produtos de panificação, como pães e macarrão, são muito escassos. Além disso, muitos desses produtos só existem na Região Metropolitana de Curitiba”, ressalta Odenath. Conforme ele, produtos de origem animal também representam um grande desafio a ser superado. “Antes de ter o leite orgânico, é preciso resolver problemas sanitários, que dizem respeito ao tratamento de doenças e bem estar animal, sem o uso de produtos químicos, como antibióticos. Sem contar que o laticínio precisa ter uma sistema de produção separado e certificado”, lembrou.

PESQUISA - Odenath salientou que o IAPAR já está trabalhando em diversos projetos de pesquisa para encontrar essas respostas. Ele destaca, por exemplo, o trabalho do pesquisador José Lino Martinez para produção de leite orgânico de búfala na Estação Experimental do IAPAR na Lapa, Região Metropolitana de Curitiba. “Nossa estação está certificada e já foi até procurada por membros da indústria de laticínios interessada em produzir leite orgânico no Paraná”, afirmou. “Falta ampliar a oferta para atender esse interesse da indústria. Atualmente não existe carne e leite orgânico nas escolas”, disse. Segundo o pesquisador, também existem pesquisas no Iapar para controle de plantas daninhas em sistemas de grãos e pastagens; controle de pragas e doenças em diversos tipos de cultura, como no feijão, e ainda pesquisas para sanidade animal envolvendo homeopatia.

REUNIÃO - O Grupo de Trabalho reuniu-se na terça (27) em Curitiba para traçar estratégias. Pela secretaria de estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB) participaram Antonio Ricardo Lorezon, Angelita Pugliesi Martins e Carlos Alberto Salvador; pela Emater Paulo César Hidalgo e Júlio Carlos Veiga Silva; pelo Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) Márcio Miranda e Evandro Richter; pelo Iapar Luiz Antonio Odenath e José dos Santos Neto; Antônio Leonardecz pela CEASA; Sinval Reis pela Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar); e Marcelo Silva pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

Para atingir esses resultados, o Paraná conta com alguns pontos fortes. É o estado brasileiro com o maior número de propriedades rurais certificadas em agricultura orgânica, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Além disso, conta com o Programa Paraná Mais Orgânico, uma iniciativa da superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) que ajuda pequenos produtores orgânicos a certificarem a propriedade. “O Estado do Paraná já investiu R$ 13,5 milhões com certificação nos últimos 10 anos, mas ainda temos muitos desafios pela frente”, destacou Odenath.

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