IAPAR

09/05/2019

“Nunca erramos uma previsão”, afirma idealizador do Alerta Geada

(09/05/2019) O IAPAR realizou na manhã desta quarta-feira (9), em Londrina, o seminário “História do Alerta Geada e a Cafeicultura do Paraná”, em celebração aos 25 anos de operação do serviço.

O encontro reuniu cerca de 80 pesquisadores, técnicos e estudantes de ciências agrárias e teve início com uma homenagem aos pesquisadores aposentados Paulo Henrique Caramori e Francisco Carneiro Filho, em reconhecimento ao trabalho que desenvolveram em favor da pesquisa agropecuária.

A primeira edição do Alerta Geada foi veiculada em 1995. “Nunca erramos uma emissão de alerta”, afirmou em sua palestra o agrometeorologista aposentado Paulo Henrique Caramori, um dos líderes da equipe que idealizou e implantou o serviço.

O serviço, conduzido pelo Iapar em parceria com o Simepar, auxilia os produtores a implantar medidas de proteção dos cafezais paranaenses. De maio a setembro os pesquisadores acompanham as condições meteorológicas nas regiões cafeeiras do Estado e publicam diariamente um boletim informativo; se houver previsão de geadas com intensidade de causar danos às lavouras, é então emitido um aviso com 48 horas de antecedência da previsão de ocorrência do fenômeno, tempo suficiente para os produtores adotarem medidas protetivas nas lavouras.

Caramori afirmou ainda que, apenas na geada de 2000, a adoção das técnicas de proteção pelos produtores que acompanhavam os informes do Alerta Geada proporcionou uma economia estimada em 20 milhões de dólares.

O pesquisador também enumerou os avanços nas técnicas de proteção de cafezais, da ineficiente nebulização com serragem seca e salitre utilizada nos anos 1960 até a confirmação, pela pesquisa, que é mais prático e eficiente simplesmente enterrar mudas e, no caso de plantas maiores, proteger os troncos para garantir o rebrote em caso de geadas extremas.

Em seguida, o meteorologista Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), discorreu sobre a metodologia de captação de dados e acompanhamento dos avanços de massas de ar polar pelo território paranaense. “Hoje temos tecnologia para prever com precisão a ocorrência de geadas de alta intensidade”, assegurou.

A meteorologista Ângela Beatriz Costa, do Iapar, detalhou o processo de decisão sobre a emissão de alertas e apresentou as técnicas de proteção de cafeeiros contra geadas preconizadas pela pesquisa.

APLICATIVO – Por fim, o pesquisador Pablo Ricardo Nitsche fez uma apresentação do aplicativo IAPAR Clima, que passa a oferecer também o serviço Alerta Geada.

Desenvolvido em parceria com o Simepar, o IAPAR Clima foi lançado no início deste ano. Operando com dados obtidos em uma rede de 70 estações meteorológicas distribuídas por todo o Paraná, o aplicativo oferece funcionalidades como previsão do tempo, chuva acumulada, situação da água no solo, temperatura, mapas climáticos e, a partir desta semana, também o Alerta Geada.

Por enquanto, o aplicativo IAPAR Clima está disponível para aparelhos Android e pode ser baixado gratuitamente no Google Play. A versão para IOS ficará pronta nos próximos meses.

OPERAÇÃO – O Alerta Geada é direcionado prioritariamente à proteção de lavouras com até dois anos de implantação. Durante o período de funcionamento do serviço, os pesquisadores acompanham as condições meteorológicas na região cafeeira do Estado e publicam diariamente um boletim informativo, que pode ser acessado nos endereços www.iapar.br, www.simepar.br, pelo telefone (43) 3391-4500 (custo de uma ligação para aparelho fixo) e, a partir deste ano, pelo aplicativo IAPAR Clima.

Se houver aproximação de massas de ar frio com potencial de causar danos às lavouras de café, também é emitido um pré-alerta no aplicativo, por e-mail e SMS a extensionistas, técnicos e produtores cadastrados, além da divulgação para a imprensa e nas redes sociais. Caso persistam as condições para formação de geadas, um novo aviso, de ratificação, é expedido em até 24 horas antes da previsão de ocorrência do evento.

Embora concebido para a proteção do parque cafeeiro paranaense – distribuído pelas regiões Norte, Noroeste e parte do Oeste do Estado –, nos últimos anos outros setores vêm buscando as informações do Alerta Geada para orientar suas atividades, como produtores de hortaliças, construção civil, área de turismo e eventos e até o comércio de vestuário.

RECOMENDAÇÃO – Para lavouras com idade entre seis e 24 meses, a recomendação é amontoar terra – até o primeiro par de folhas – no tronco das árvores imediatamente, para proteger as gemas e evitar a morte da planta no caso de geada severa. Essa prática é chamada de “chegamento de terra” pelos cafeicultores e técnicos do setor.

Essa terra que protege os troncos dos cafeeiros deve ser mantida até o final do período frio, em meados de setembro, e então retirada preferencialmente com as mãos.

Para plantios novos, com até seis meses de idade, recomenda-se simplesmente enterrar as mudas quando houver emissão do Alerta Geada. Viveiros devem ser protegidos com várias camadas de cobertura plástica.

Nos dois casos – lavouras novas e viveiros –, a proteção deve ser retirada rapidamente, assim que a massa de ar frio se afastar e cessar o risco imediato de geada.

PARQUE CAFEEIRO – De acordo com o economista Paulo Sérgio Franzini, do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), a área ocupada com lavouras de café no Paraná é de 40,1 mil hectares.

Desse total, 2.700 ha devem ser protegidos com o Alerta Geada, pois são ocupados lavouras de até 24 meses – aí incluídos 800 ha de implantação ainda mais recente, de até seis meses.

Franzini calcula que a implantação de um hectare de cafeeiros custa em torno de R$ 15 mil. O enterrio e o desenterrio de plantas com até seis meses custa em torno de R$ 1,5 mil, enquanto o dispêndio para fazer o “chegamento de terra” e posterior limpeza dos troncos é de aproximadamente R$ 1 mil.

A maior parte das lavouras paranaenses tem em média 8 hectares e é conduzida por pequenos produtores familiares. Em fase de colheita, este ano o Paraná deve produzir em torno de 1,1 milhão de sacas beneficiadas de café.

PROGNÓSTICO – De acordo com a meteorologista Ângela Costa, o inverno de 2019 deve ser de chuvas e temperaturas normais ou ligeiramente acima da normalidade climatológica para o período. São esperados poucos ingressos de massas de ar polar na zona cafeeira paranaense.

REALIZAÇÃO – O serviço Alerta Geada é uma realização do Iapar e do Simepar, com apoio da Seab, Emater-PR, Consórcio Pesquisa Café, prefeituras, cooperativas e associações de produtores.


Serviço de Imprensa do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR)
Jornalista Edmilson Gonçales Liberal (MTb 4782/02-PR)
Fone: 43 3376-2465 / Correio eletrônico: imprensa@iapar.br

Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.