DESTAQUE NA IMPRENSA

15/02/2018

"Folha Rural" destaca trigo-mourisco e milho branco do IAPAR no Show Rural

(15/02/2018) 'Cultivares de nicho' trazem diversificação e boa rentabilidade

E nem só as culturas e variedades mais badaladas do mercado deram as caras no Show Rural. Em meio a tantos híbridos de milho, soja e alguns de trigo, é possível encontrar, digamos, certas "cultivares de nicho" que, se trabalhadas de forma estratégica, podem trazer excelente rentabilidade para os produtores, sem dificuldades extras de manejo.

O Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) levou até a feira duas alternativas que chamaram a atenção de quem passava pelo parque. Em meio a um mar de espigas amarelas por todos os lados, lá estava o IPR 127, um milho branco, desenvolvido para produtores interessados no mercado de canjica, fubá, amido e farinha, com muitas indústrias alocadas no Sul do Estado. Indicada para o cultivo tanto na primeira como na segunda safra, a cultivar de ciclo precoce tem boa tolerância ao acamamento e ao quebrantamento. Os grão são do tipo duro, os preferidos desse segmento, e muito valorizados pelo alto rendimento na indústria.

O pesquisador da área de melhoramento e genética vegetal do Iapar, Deoclécio Garbuglio, salienta que o manejo do IPR 127 não diferencia em nada do milho amarelo, com os mesmos tratos culturais e produtividade. "O cuidado está no isolamento da cultura, pois qualquer pólen de milho amarelo que toque as espiguetas do branco vai desenvolver milho amarelo ali. É necessário portanto pelo menos 300 metros de distância das cultivares tradicionais, de preferência que não tenha nada em volta."

Em relação à rentabilidade, é interessante dizer que atualmente a saca do milho branco está em média R$ 60, contra pouco mais de R$ 20 do amarelo. Garbuglio explica, por outro lado, a semente do amarelo custa em torno de R$ 700, enquanto do branco, R$ 350. Mas é necessário um alerta: o produtor precisa ser estratégico na comercialização, mapeando com antecedência os possíveis compradores. "A grande questão dele é a venda. Muitas vezes o pessoal planta o milho amarelo e só depois se preocupa com a venda. No caso do branco, primeiro o produtor precisa buscar a empresa que vai adquirir esse milho e acertar uma pré-venda", orienta.

TRIGO MOURISCO

Outro cultivo que saltou aos olhos dos visitantes na feira, pela sua peculiaridade, foi o trigo-mourisco, ou sarraceno, com as cultivares IPR 91 e IPR 92 atuando no Sul e Centro-Oeste paranaense. O pesquisador Ronaldo Hissayuki Hojo destaca que ele é uma alternativa para a diversificação de culturas, melhorar o faturamento da safra e uma nova família para a rotação da área para não causar aquela sequência indesejável e comum de pragas e doenças. "Com o crescimento rápido, o sarraceno faz a supressão das plantas daninhas, além de fornecer nutrientes para as culturas sucessoras."

Hojo explica que a máxima capacidade produtiva dele acontece no verão, mas pode ser plantado inclusive após a colheita da soja, já que possui um ciclo rápido - menos de 90 dias - além do baixo custo. "No momento, inclusive, não há ataques de pragas e doenças para a cultura. Além disso, a partir do grão é possível produzir uma farinha sem glúten, trabalhando num nicho de mercado para os celíacos. É preciso portanto, fazer contratos fechados com as indústrias do segmento."

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TADEU FELISMINO
Diretor – Inovação e Transferência de Tecnologia
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