DIA DE CAMPO

29/11/2017

Em Morretes, IAPAR apresenta nova tecnologia para produção de maracujá

(Em Morretes, IAPAR apresenta nova tecnologia para produção de maracujá29/11/2017) Cerca de 40 produtores e técnicos compareceram ao dia de campo sobre maracujá-amarelo realizado terça-feira (28) na estação experimental do IAPAR em Morretes. Os pesquisadores apresentaram uma nova proposta tecnológica para enfrentar o endurecimento dos frutos, doença que vem prejudicando o cultivo da espécie no Paraná. Também foram abordadas técnicas de manejo e apresentados comparativos entre os sistemas de condução espaldeira e latada e em diferentes datas de plantio.
 
Segundo o engenheiro-agrônomo Pedro Martins Auler, coordenador das pesquisas em fruticultura do IAPAR, a oferta de maracujá vem diminuindo no Paraná e no Brasil, possivelmente em função do vírus Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV), que causa o endurecimento dos frutos.

O pesquisador alerta que a ocorrência do vírus pode comprometer a produção de maracujá no litoral, que representa um aporte anual de 4,5 milhões de reais, sendo o segundo maior do Paraná. Para Auler o novo modelo tem boas perspectivas de sucesso, pois o vírus é específico do maracujá, todavia ressalta que o ideal é que seja adotado regionalmente pela maioria dos produtores.

DOENÇA – O endurecimento dos frutos de maracujá já foi registrado nos principais polos de produção do Paraná. A doença é causada pelo vírus Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV), transmitido por pulgões, que atuam como vetor na transmissão de vírus ao sugarem a seiva das plantas. A doença tem alto potencial destrutivo e disseminação rápida – em quatro meses pode contaminar toda a lavoura, segundo Auler.

Presente no evento, Daniel Muraro, ligado à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), relatou que coletou frutos de maracujá em diferentes localidades no litoral do Paraná e confirmou que as amostras foram positivas para o vírus CABMV. Ele reforça a importância do trabalho integrado entre pesquisa, extensão, ensino, produtores e empresas.
 
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA – Experimentos do IAPAR têm mostrado que é possível conviver com a doença, utilizando um novo modelo tecnológico. Segundo a pesquisadora Neusa Colauto Stenzel, a proposta é que os produtores façam suas próprias mudas, em estufas protegidas contra pulgões. Ela ensina que a semeadura deve ser feita a partir de março-abril, em sacos maiores. As mudas dever ir para o campo com tamanho variando entre 80 centímetros e 1,5 m, a partir de fins de agosto e início de setembro. O espaçamento de plantio pode ser mais adensado – 3 m entre linhas e 2 m entre plantas.

O novo modelo preconiza o plantio em apenas um ciclo, devendo haver um “vazio sanitário” no inverno, basicamente no mês de julho e meados de agosto, para evitar a proliferação da doença. No sistema atual as mudas são levadas pequenas para o campo, o espaçamento é de 4m x 4m em sistema de latada, com utilização de podas frequentes, sendo que as plantas permanecem durante dois ciclos no campo, o que aparentemente tem contribuído para proliferação da virose.

O produtor de maracujá Wilson Simão de Morretes cultiva dois hectares no sistema antigo e confirmou que 70% da lavoura está contaminada com o vírus e, no momento, se diz convencido que manter plantas de segundo ciclo inviabiliza o cultivo.

O produtor Saulo Gubert tem a mesma opinião. Ele está com 50% da lavoura tomada pelo vírus. Gubert percebeu na sua propriedade que algumas medidas ajudam a evitar a disseminação da doença como não deixar solo descoberto por longos períodos, manter a vegetação nativa nas entrelinhas de plantio, reduzir as desbrotas dos ponteiros (feito com a unha) e limpar as ferramentas utilizadas nos tratos culturais.

MERCADO – Na opinião de Sidney Yassuda, tradicional produtor de Morretes, o novo sistema traz também um novo desafio na comercialização. Atualmente, a maior produção ocorre no segundo ciclo, em janeiro e fevereiro, período que coincide com as férias de verão e aumento da demanda pelo fruto no litoral. No modelo novo o pico de produção passa para os meses de maio e junho.

Para Ruth Pires, extensionista da Emater-PR em Morretes, uma solução será investir na agroindustrialização de diferentes produtos do maracujazeiro.

VISITAS – Produtores e demais interessados podem conhecer o novo modelo de produção de maracujá na Estação Experimental de Morretes. As visitas devem ser agendadas pelo telefone (41) 3462-1203 ou e-mail est_morretes@iapar.br.


Colaboração de Moacir Roberto Darolt, da Área de Transferência de Tecnologia em Curitiba.
Serviço de Imprensa do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR)
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