PARANÁ

30/05/2017

Safra de verão chega ao final com quase 25 milhões de toneladas

Safra de verão chega ao final com quase 25 milhões de toneladas(30/05/2017) A safra de grãos de verão 2016/17 está com a colheita praticamente encerrada no Paraná e totaliza 24,8 milhões de toneladas - 23% a mais que a anterior. O carro-chefe é a soja, que contribui com 19,5 milhões de toneladas, um recorde de produção. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (29), são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento, e se referem ao relatório mensal do mês de maio.

Na safra de grãos de primavera/verão são cultivados basicamente soja, milho e feijão da primeira safra. Planta-se também arroz e amendoim, mas em espaços e volumes de produção bastante reduzidos.

O secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, explica que consolidada a primeira safra de grãos, a expectativa agora é com a segunda safra, que já está em período de formação, no campo. “Ela pode render mais de 14 milhões de toneladas”, diz.

Segundo Ortigara, a segunda safra e mais 3,7 milhões de toneladas correspondentes aos cereais de inverno

(trigo, cevada, centeio, sorgo) dão ao Paraná um destaque no cenário nacional. “Podemos projetar uma produção de até 42 milhões de toneladas de grãos neste ano de 2017. Essa previsão, claro, depende das condições climáticas daqui para frente”, destaca.

REFORÇA AÇÕES - Para o secretário, a confirmação da safra de verão reflete o esforço do Governo do Estado que, junto com a iniciativa privada, adota ações como o programa para manejo e conservação de solos e água (Prosolo) e também a Campanha Plante Seu Futuro, com redução intensiva no uso de agrotóxicos. “O resultado é sempre positivo quando o clima colabora e também quando trabalhamos em programas centrados para redução de riscos e na capacitação de técnicos e produtores”, afirmou.

COMERCIALIZAÇÃO – O diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni, destaca que o processo de comercialização este ano, está mais lento que o do ano passado, em função da recomposição dos estoques mundiais das commodities. Assim como o Paraná e o Brasil, os EUA e América Latina produziram muito bem. Essa condição acalma o mercado e os compradores trabalham com mais folga considerando a oferta maior de produtos.

Por outro lado, o produtor acompanha o comportamento do mercado, que sofre influências diárias, ora pela evolução do plantio da safra norte-americana, ora pelas inconstâncias políticas nos EUA e no Brasil. Ficar atendo e aproveitar o melhor momento para formalizar as vendas é a recomendação. “Isso não quer dizer que o momento é ruim. Ao contrário, o agronegócio continua bom e com ritmo crescente no uso de inovação e tecnologia, que possibilita ao produtor paranaense obter mais lucro e rentabilidade a cada safra”, afirma Simioni.

​SOJA -
A colheita da soja está concluída no Paraná, com o volume recorde de produção de 19,5 milhões de toneladas - 18% acima da produção do ano passado (16,5 milhões de toneladas). Segundo o Departamento de Economia Rural, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, a produtividade alcançada nesta safra, de 3.720 quilos por hectare, também é recorde e representa um avanço de 19% sobre o rendimento do ano passado.

Há 44% da produção vendida, contra 70% do mesmo período do ano passado. O preço oscila entre R$ 57,00 e R$ 58,00 a saca com 60 quilos – menos 21% em relação há um ano atrás.

O economista do Deral, Marcelo Garrido, acredita que daqui para a frente a venda de soja pode ganhar ritmo, porque o produtor vai precisar de estrutura de armazenagem para acondicionar os grãos da segunda safra, que começam a ser colhidos dentro de um mês. Ainda há cerca de 11 milhões de toneladas de soja nos armazéns do Estado.

MILHO - Os próximos 20 dias representam um período crítico para o milho da segunda safra, que está plantado e, por enquanto, em boas condições no campo, informou o administrador do Deral, Edmar Gervásio. Ele alerta para alteração na previsão de produção, caso ocorra geada mais intensa na região Oeste, onde está plantado cerca de um terço do milho da segunda safra.

Com a primeira e a segunda safra a expectativa aponta para uma colheita de 18,6 milhões de toneladas no Paraná - que é o segundo maior produtor nacional. A primeira safra rendeu 4,7 milhões de toneladas (aumento de 44%) graças à produtividade excepcional que superou 9.400 quilos por hectare. Para a segunda safra a previsão é de 13,8 milhões de toneladas - 36% acima da produção em igual período do ano passado.

Com maior oferta de produção de milho no cenário nacional e internacional, os preços caíram em torno de 50% desde o ano passado – de R$ 40,00 a saca com 60 quilos para R$ 21,00.

FEIJÃO - O Deral prevê que entre a primeira safra de feijão, já colhida, e a segunda em processo de colheita, haverá uma oferta em torno de cerca 800 mil toneladas. A primeira safra atingiu volume de 364.687 toneladas, 24% acima de igual período anterior.

Atualmente, o Paraná é o único fornecedor nacional de feijão de cor, o que manteve os preços estáveis nos últimos 15 dias (média de R$ 152,00 para o feijão de cor e de R$ 113,00 para o feijão preto). Metódio Groxco, do Deral, acredita que os preços podem cair em breve, com o início da colheita em São Paulo e Minas Gerais. Em relação ao ano passado, o preço do feijão de cor já caiu 33% e do feijão preto, 23%.

MANDIOCA - A safra de mandioca está com 42% da área colhida já plantada e a produção deve atingir 2,8 milhões de toneladas, uma redução de 23% sobre a produção do ano passado. Neste ano, houve redução de 18% na área plantada e isso está influenciando no resultado na produção.

Com menor oferta, os preços da mandioca subiram 44% - de R$ 329,00 para R$ 474,00 a tonelada. De acordo com o economista Methódio Groxco já está havendo dificuldades de sustentação dos preços aos produtores porque as empresas processadoras da raiz não estão conseguindo repassar ao mercado consumidor a alta para os produtos fécula e farinha, que estão sendo substituídas pelo amido de milho.​



Agência de Notícias do Paraná.
Foto: Cleverson Beje-FAEP/Arquivo A​NPR​
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